quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Parabéns, Eugénio de Andrade

                                                         
                                              

                                                                 O Pastor

                                                          Pastor, pastorinho,
                                                          onde vais sozinho?

                                                          Vou aquela serra
                                                          buscar uma ovelha.

                                                          Porque vais sozinho,
                                                          pastor, pastorinho?

                                                          Não tenho ninguém
                                                          que me queira bem.

                                                           Não tens um amigo?
                                                           Deixa-me ir contigo.


                                                   Eugénio de Andrade, in  Aquela Nuvem e Outra.

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontainhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 em Póvoa da Atalaia no Fundão. Faleceu no Porto, cidade onde trabalhou e escreveu.






quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pensamento do Mês

  "A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente."
    Albert Einstein (1879 - 1955), Prémio Nobel da Física em 1921.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

E bom ano 2017


E bom ano 2017!

Bom ano apesar da crise.
Bom ano apesar dos cenários
 anunciados de catástrofe.
Bom ano apesar dos cortes.

Bom ano.
Bom ano contra a crise.
Bom ano contra o desespero.
Bom ano contra a tristeza.
Bom ano contra a resmunguice.
Bom ano contra a maledicência.

E um ano 2017 cheio de ideias.
De sonhos.
De projetos.
De novos caminhos.
De esperança.

Um ano para dizer sim a quem se
 gosta.
Um ano para contar histórias.
Um ano para passear à beira rio.
Um ano para conhecer um jardim.
Um ano para estar com a família.
Um ano para sentir o sol na cara.
Um ano para reconhecer os amigos.
Um ano para ler mais.
Um ano para dar abraços.
Um ano para ouvir novos sons.
Um ano para visitar bibliotecas.
Um ano para descobrir novas
 palavras.

Um ano para pensar mais.
Um ano para viver mais.
Um ano para ser mais.

  Francisca Cunha Rego (adaptado)



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Boas Festas



Adoração dos Pastores (1669),
JOSEFA DE ÓBIDOS (1630 — 1684) Óleo sobre Tela, 150 x 184 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.


Votos de Feliz Natal e Boas Festas, deseja a equipa da BE, a toda a comunidade do Agrupamento Gonçalo Mendes da Maia.
Obrigado por estarem connosco.
   







terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Poema do Mês

Natal

A festa hoje dá lugar à melancolia.
Já não somos crianças,
não temos insónias a pensar nos brinquedos
nem sofremos a ansiedade da meia-noite.
Crescemos…
O tempo levou-nos a fé
Levou-nos os avós
Levou-nos os pais.
Trouxe-nos os filhos
e a melancolia
de termos sido crianças
e de ter sido uma festa.


Rui Spranger, “Natal”,
In “Antologia da Cave – 25 anos de poesia no Pinguim Café”

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Poema do mês

                                 
 LEVAVA EU UM JARRINHO
                           
                      
Levava eu um jarrinho
P’ra ir buscar vinho;
Levava um tostão
P’ra comprar pão;
E levava uma fita
Para ir bonita.

Correu atrás
De mim um rapaz:
Foi o jarro p’ra o chão,
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita...
Vejam que desdita!

Se eu não levasse um jarrinho,
Nem fosse buscar vinho,
Nem trouxesse uma fita
Para ir bonita,
Nem corresse atrás
De mim um rapaz
Para ver o que eu fazia,
Nada disto acontecia. 
                                                                                               
                                         FERNANDO PESSOA, in Quadras ao Gosto Popular

domingo, 18 de setembro de 2016

Recomeçar

Sísifo

Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…


Miguel Torga, Diário XIII  

Todos os anos...


Todos os anos, de julho a setembro, podemos colher amoras. Enquanto ainda há pouco para estudar e os dias são luminosos podemos desafiar os pais ou avós para uma atividade ao ar livre: colher o que as silvas, a natureza, nos oferece. Não te esqueças de levar um saco plástico ou bacia.Se quiseres conhecer um pouco mais sobre esta planta, tão resistente, utiliza por exemplo a seguinte fonte: Wikipédia. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Meu Cão


O meu cão

Quando soube que vinhas
O meu coração bateu
Já vieste para casa
Agora és todo meu

Andas por casa
Sempre a farejar
As coisas que mais gostas
É de lamber e brincar

As tuas orelhas pequenas
E o teu grande focinho
Tens ar de mau
Mas és muito meiguinho

És muito brincalhão
Adoro estar contigo
és um grande cão
E um bom  amigo.


Luis Azevedo, nº14 - 7ºE 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

"Algumas Proposições com Crianças"



     "Algumas Proposições com Crianças"


A criança está completamente imersa na infância
a criança não sabe que há-de fazer da infância
a criança coincide com a infância
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infância
a criança mergulha na infância como no mar
a infância é o elemento da criança como a água
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência.
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz.
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez.
Ainda hoje trago os cheiros no nariz.
Senhor que a minha vida seja permitir a infância
embora nunca mais eu saiba como ela se diz.

Ruy Belo, in "Homem de Palavra[s]"

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dia do Autor Português


Decorreu com entusiasmo,na biblioteca, o Dia do Autor Português. Foi bom ver e ouvir a apresentação dos poemas escolhidos pelos representantes das turmas dos sétimos e oitavos anos. O júri teve missão espinhosa.

Parabéns a todos os participantes!

Pensamento da semana


"O que sabemos é uma gota, o que ignorámos é um oceano."

 Issac Newton (1643 - 1727), físico, cientista inglês.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Parabéns

A Rede de Bibliotecas Escolares apresenta o sítio Web que assinala os seus 20 anos.
Saiba mais sobre o evento que assinala a data e muito do que foi e do que é hoje esta Rede de redes: http://www.rbe20anos.pt/ .

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pensamento da semana

"Se o conhecimento pode criar problemas, não será através da ignorância que os resolveremos"

Isaac Asimov (1920 - 1992), escritor americano nascido na Rússia

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Pensamento da semana


"O Homem da 3ª idade acredita em tudo; o da meia idade desconfia de tudo e o novo sabe tudo."

Óscar Wilde (1854 - 1900), escritor irlandês.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Mãe

                                                                                                  

Mãe refugiada no túnel de Ramsgate para escapar aos bombardeamentos alemães durante a 2ª Guerra.(Foto:BBC).


Poema à mãe 

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.


Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.



Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.



Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.



Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.



Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.



Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!



Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;



Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;



Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...



Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.



Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.



Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro" 


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pensamento da semana




"A melhor coisa sobre o futuro é que chega um dia de cada vez."

Abraham Lincoln (1809 - 1865), agricultor e político americano.